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03/02/2014

As ONGs e os programas para adolescentes e jovens



 O Brasil possui hoje uma sociedade civil organizada formada por organizações não governamentais, fundações, sindicatos, movimentos sociais, coletivos culturais, fóruns etc. A diversidade de sua natureza exige uma análise mais aprofundada de cada situação, mas podemos destacar a inovação e a capilaridade como características de sua atuação.


Em relação às ONGs, sua atuação direta nos territórios de maior vulnerabilidade lhes permitiu detectar, há mais de 10 anos, a urgência de direcionar projetos para adolescentes e jovens pela simples constatação do aumento de violência nesses territórios e também pelo fato de os programas no contraturno escolar não conseguirem reter os adolescentes a partir dos 12 anos.

Nesse contexto, temos hoje programas exemplares apoiados por diferentes organizações em diferentes regiões do país. Concursos como o Prêmio Itaú-Unicef dão visibilidade a instituições como o CRIA (Centro de Referência Integral de Adolescentes), em Salvador;  CPCD (Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento), em Minas Gerais;  CECOP (Centro de Documentação e Comunicação Popular), no Rio Grande do Norte, dentre tantas outras instituições como o Cenpec e a Fundação Tide Setubal.

A análise desses programas nos leva a apontar para algumas dimensões importantes para se pensar políticas públicas para juventude em um momento em que os famosos “rolezinhos” estão em pauta.


1. As políticas devem ser elaboradas de forma sistêmica e transversal, levando-se em conta as áreas de educação, esporte, cultura, saúde e trabalho. Não basta pensarmos que direcionar políticas de lazer de forma descontextualizada irá resolver a questão da juventude. É importante também que as políticas façam uma distinção entre os adolescentes e os jovens a partir dos 18 anos. 


2. Os programas das ONGs reforçam a valorização da cultura local e o sentimento de pertencimento ao território ao mesmo tempo em que buscam um diálogo com o contexto global.

3. A metodologia é de “fazer com” os adolescentes e jovens e não o “fazer para” eles, a partir de uma ótica exclusiva dos adultos. A ênfase também está na relação direta com a realidade cotidiana e com as questões mais amplas que tenham sentido para eles e o “aprender fazendo”. Áreas de esporte, cultura e comunicação têm um grande apelo motivacional e devem ser priorizadas.

4. A autoria ou protagonismo devem estar na centralidade das propostas desde a concepção até a implementação, assim como a transversalidade de valores como diálogo, respeito, paz e sustentabilidade.

Na experiência da Fundação Tide Setubal, quando as escolas se envolvem junto com seus alunos, é possível um salto de qualidade na relação professor-aluno e no clima geral do estabelecimento. Os depoimentos de professores e diretores mostram que eles passam a olhar diferente muitos alunos que lhes pareciam os “piores da classe” e que se destacam em atividades com as características apontadas acima. Os currículos escolares também podem e devem se deixar permear por esses conteúdos e metodologias.

A sociedade contemporânea nos coloca grandes desafios. Levar a sério a construção de políticas para as juventudes é respeitar nosso maior potencial que são as futuras gerações.

Fonte: www.necasetubal.com.br


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