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Ida & Volta - Boletim

janeiro 4, 2012

Agricultores e agricultoras enviam cartas à presidenta Dilma

Centenas de cartas escritas por mãos calejadas do trabalho na roça. Palavras de gratidão, fé e indignação revelam sentimentos contraditórios que se alastraram no Semiárido brasileiro nesse final de ano para início de 2012. Alegria, pela conquista de uma cisterna perto de casa, de uma alimentação saudável e de aumento da renda familiar; e frustração pela possibilidade de ver o que está dando certo para a região ser descartado.
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As cartas escritas ou ditadas por homens e mulheres do Semiárido que, na maioria das vezes, não têm muita intimidade com as letras, são todas endereçadas à autoridade máxima da nação: a presidente Dilma Roussef.
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Vindas de comunidades rurais de todos os cantos do Semiárido brasileiro as correspondências foram recolhidas pela Articulação no Semiárido (ASA) no ato público que reuniu cerca de 15 mil pessoas em Petrolina, Pernambuco. Todas as cartas foram entregues ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para que cheguem às mãos da presidente Dilma.
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Após a mobilização, o Governo Federal decidiu voltar atrás e renovar a parceria com a ASA que estava suspensa. Um aditivo foi acordado, garantindo a execução dos programas Um Milhão de Cisternas (P1MC) e Uma Terra e Duas Águas (P1+2) até o final de março de 2012 e uma nova reunião foi marcada para o dia 3 de janeiro, com o intuito de elaborar um novo termo de parceria.
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Os conselhos à presidente são uma tentativa de evitar a volta a um passado ainda recente, profundamente marcado pela sequidão e por promessas eleitoreiras. Foram escritas por pessoas que passaram anos a fio dando seu nome todas as vezes em que apareceram propostas de doação de cisternas na comunidade, principalmente em época de eleições. Estas pessoas testemunharam este ciclo se quebrar a partir da força da sociedade civil organizada, através da atuação da ASA.
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Os relatos das cartas contam sobre suas próprias vidas. E tem a força da verdade. Arrebatam os corações sensíveis. São histórias de sobreviventes de uma época em que a água que se bebia fazia crianças com menos de um ano morrerem de doenças intestinais.
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As vozes das cartas falam também da precisão das cisternas de placa de cimento. Asseguram que a sua construção movimenta a economia local. Algumas são escritas por pedreiros que levam a vida a construir as cisternas de placa. As mensagens são unânimes em contestar as cisternas de plástico PVC, por terem consciência de que o plástico por sua própria natureza não apresenta a durabilidade das cisternas de alvenaria.

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(Fonte: ASA Brasil)